terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Para a nova juventude hitlerista...

O nazismo anda muito popular no Brasil, em especial na juventude brasileira que não esconde o seu amor e devoção ao canalha austríaco. Em "homenagem" a esta nova juventude hitlerista tropical (a parte triste é que o próprio füher rejeitaria esta devoção, um caso típico de amor não correspondido, já que muitos não se enquadram no ideal da raça pura nazista) sou obrigado a postar o esquete Mr. Hilter do Monty Python.

PS: não se preocupem, filhos do Reich, pois não existe nenhuma menção no vídeo de que Hitler possuía bafo de jibóia.

Contra a Raison d´État

O Globo, 09/02/2010

Especialistas veem vácuo na articulação tucana

Isso explicaria a postura mais firme de FH na defesa de sua gestão e na crítica ao governo Lula. Eles esperam 'novos ataques de fúria' Comente(35)

Leia mais: Fernando Henrique eleva o tom e diz que Dilma 'não inspira confiança'

Leia mais: Dirceu retoma papel influente que nunca deixou no PT e reage a FH

Após artigo

Para especialistas, críticas de FH a Dilma mostram um vazio na articulação da campanha tucana

Publicada em 09/02/2010 às 00h05m

Cristiane Jungblut, Gustavo Paul, Wagner Gomes e Carolina Benevides

BRASÍLIA, SÃO PAULO e RIO - Ao criticar a capacidade de liderança da ministra Dilma Rousseff , o ex-presidente Fernando Henrique assume um vazio na articulação do governador José Serra (PSDB) para a campanha presidencial deste ano, analisaram especialistas ouvidos pelo GLOBO. Roberto Romano, professor de ética e política da Unicamp, diz que FH parte para o ataque para cobrir uma falha de estratégia do PSDB nesta campanha. Segundo ele, Fernando Henrique tenta proteger o partido e seus dois governos ao perceber a falta de coordenação dos tucanos.

" Há um vácuo na campanha tucana que acaba sendo assumido por Fernando Henrique "



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- Há um vácuo na campanha tucana que acaba sendo assumido por Fernando Henrique, até porque ele precisa defender o seu governo, sempre muito criticado por Lula. FH não é político de fulanizar, ele prefere o discurso teórico e intelectual. O problema é que falta alguém no PSDB pronto a polemizar com o presidente Lula - diz Romano.
O professor da Unicamp diz que é de se esperar "novos ataques de fúria" de Fernando Henrique, até que José Serra se decida oficialmente pela candidatura e passe a fazer críticas duras ao atual governo. Para Romano, caso Serra continue silencioso diante das críticas de Lula, pode parecer que o candidato do PSDB à sucessão não tem tanta força para assumir uma campanha como esta.
- É preocupante o padrinho de Serra ter que vir constantemente a público defender o seu governo. O tempo pode passar, e o PSDB pode não conseguir revidar os ataques do atual governo. O pescador precisa saber o momento exato para lançar a rede e fisgar o peixe - diz Romano.

" Lula encontrou uma oposição que não sabe se defender e voou em céu de brigadeiro durante todos esses anos "



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Para Marco Antonio Vila, historiador da Universidade Federal de São Carlos, desde que deixou o governo, Fernando Henrique não encontrou uma pessoa que pudesse defendê-lo dos ataques do PT:
- O presidente Lula, desde o início do seu governo, diz que recebeu uma herança maldita de Fernando Henrique. Ele falou o que quis sem nunca ter uma resposta à altura da oposição. Lula encontrou uma oposição que não sabe se defender e voou em céu de brigadeiro durante todos esses anos.
Para o professor de sociologia da Unicamp Ricardo Antunes, o PSDB se mostrou com pouca capacidade de se defender das críticas do atual governo, o que levou Fernando Henrique a tomar uma postura mais agressiva em relação a Lula.
- Fernando Henrique sabe que a ausência de um candidato oficial do PSDB só fortalece a ministra Dilma. A prova disse é que a candidata de Lula cada vez mais sobe nas pesquisas eleitorais - afirma Antunes.

Outros vêem um fato positivo para a campanha de Serra:

- FH ajuda a construir a imagem de Serra e permite que o governador de SP continue esperando o melhor momento para aparecer. Ele vem sendo poupado porque todos sabem que a artilharia vai ser pesada na hora em que assumir que é candidato - diz Ricardo Ismael, professor de Ciência Política da PUC-RJ.
Para Ricardo, Serra corre o risco de já ter perdido o momento certo de assumir que concorrerá à sucessão:
- A imagem da Dilma como estadista está sendo construída. A estratégia de poupá-lo é boa, já que Serra lidera as pesquisas, mas o partido não pode esquecer que a campanha começou.

Para economistas, é preciso analisar contexto

A comparação dos números dos governos Fernando Henrique e Lula, proposta pelo ex-presidente em artigo publicado no fim de semana , foi questionada por economistas ouvidos pelo GLOBO. Eles analisam que, além de assumirem estratégias diferentes na área econômica, os dois governos conviveram com contextos internos e externos distintos. Sob esse aspecto, alertam, é preciso levar em conta essas diferenças para não contaminar as análises.
Dados levantados pela ONG Contas Abertas, por exemplo, mostram que o governo Lula investiu 15% a mais que seu antecessor nos sete primeiros anos do governo. Incluindo os investimentos das estatais e da União entre 2003 e 2009, o número chega a R$ 436,4 bilhões (corrigidos pelo IGP-DI), aproveitando a calmaria econômica internacional do meio da década. Já entre 1995 e 2001, o volume foi de R$ 379,3 bilhões, período em que ocorreram as crises econômicas do México, da Rússia, dos chamados Tigres Asiáticos, do Brasil e da Argentina.
" O governo Lula teve mais folga, mais espaço para investir, mas não investiu tudo o que podia devido à ingerência da máquina "



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Mas, numa outra comparação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os investimentos do tucano foram maiores que os do petista nos quatro primeiros anos de mandato. Apenas entre 2007 e 2009, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo Lula ultrapassou o antecessor, registrando investimentos superiores a 2% do PIB, de acordo com o Contas Abertas.
O economista Raul Velloso lembra que Lula ampliou os investimentos devido à "bonança internacional" até a crise de 2008 e à manutenção de uma economia estabilizada. Mas, para ele, Lula é ineficiente no gasto, com uma baixa execução orçamentária. Exemplo dessa situação é que, em 2010, o governo terá R$ 50 bilhões dos chamados "restos a pagar" do ano passado, quase o mesmo valor de R$ 57 bilhões para investimentos no Orçamento da União para este ano.
- O governo Lula teve mais folga, mais espaço para investir, mas não investiu tudo o que podia devido à ingerência da máquina. Tem como gastar mais, mas tem menos eficiência - disse Velloso, lembrando que o governo tucano apertou os gastos da máquina para fazer frente às crises, enquanto o governo Lula inflou os gastos, principalmente as despesas de pessoal.
Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, os dois governos tiveram orientações ideológicas diferentes, além da situação econômica internacional diferenciada:
- O governo Fernando Henrique teve o trabalho de estabilizar a economia e pegou uma série de crises econômicas que colocaram a economia em xeque. E o governo Lula passou por um período de prosperidade extraordinária. Os dois lados podem usar os números, e haverá uma guerra de números, o que é normal.

Leia mais:

Dirceu retoma papel influente que nunca deixou no PT e reage duramente a FH
Padilha: Estratégia é comparar governos


Postado por Roberto Romano às 23:38

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Em pleno 2010 os nazistas vicejam....

Vou reproduzir uma matéria da Folha Online seguido de seus comentários. Como podemos ver Hitler está mais popular do que nunca, qualquer ofensa ao Füher traz uma gama de imprópérios antisemitas.


da Efe, em Berlim

Adolf Hitler tinha medo de dentista, halitose (mau hálito) e se alimentava muito mal, revela um estudo baseado nas anotações do homem que cuidava dos dentes do ditador alemão, o general da SS nazista Johannes Blaschke.
As conclusões estão em "O Dentista do Diabo", trabalho de doutorado de Menevse Deprem-Hennen. Em declarações ao periódico alemão "Bild am Sonntag", o especialista explica que o estudo teve base em uma série de relatórios que durante anos estavam perdidos.
"É muito provável que Hitler sofresse de uma forte halitose", conta Deprem-Hennen, que diz ainda que o ditador nazista comia mal e sofria de doença periodontal, que atinge a gengiva e a sustentação dos dentes.
"É provável também que, como muitas pessoas, Hitler tivesse medo do dentista", afirma o especialista, que tira essa conclusão pelo fato de, em vez de fazer um tratamento de canal em uma ou duas sessões, o "Fuehrer" ter precisado chamar Johannes Blaschke até oito vezes.

Alguns soldados da S.S. e S.A. se manifestam em defesa do "füher":

"Chutar cachorro morto" parece sempre ser uma boa coisa para os judeus. Porque não se fala que Israel chacina milhares de pessoas todos os dias? Porque atacar o povo alemão?
O tráfico mundial de órgãos humanos é feito por judeus. Oa maiores pedófilos do mundo são judeus. Quem se considera a "melhor" raça do mundo e não se mistura, são os judeus. Quem ainde tem uma grande idéia e planos para dominar o mundo, são os judeus.
Não é hora de vocês começarem a falar a verdade?

Faltou um "Siegl Heil!" no fim da mensagem.

O que ainda falta descobrir sobre Hitler? Que ele torturava criancinhas no porão de sua casa, que comia cérebro humano, que praticava o satanismo? Os historiadores lambe-botas do Sionismo vendem a imagem de Hitler como tudo o que há de mais pernicioso, imoral e ridículo na história humana. Hitler se tornou a "Geni" do mundo da política. Quem não tem problema de mau hálito? Será que Churchill, um conhecido alcóolatra, não tinha "bafo de onça"? Mas como se trata do ditador alemão, qualquer "defeito" pessoal é amplificado num fator de 1.000.

Só faltou listar as "qualidades" do amado"füher" no final.

O diabo austríaco de certa forma conseguiu o seu "Reich de mil anos", possui adoradores no mundo todo, escolhi os comentários do que chamo de Capitães de S.S. e da S.A. para ilustrar, mas há muito mais de soldados rasos das hostes nazistas defendendo o füher. Em matéria de humanidade - como coletivo - tenho a impressão de que não aprendemos nada com a história.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

No Contra a Raison d' État


Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias

Em São Paulo

A promessa do ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, de retirar a descriminalização do aborto do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, não foi suficiente nem para agradar definitivamente setores conservadores da igreja, tampouco para apaziguar os ânimos de defensores das medidas previstas no plano.



CNBB distribuiu panfletos chamando Lula de "novo Herodes" por causa de plano

Nos panfletos, revelados pela reportagem do UOL Notícias, o Regional Sul 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), afirmou que, a exemplo do rei Herodes, aquele que ordenou a "matança dos inocentes" na Bíblia Sagrada, o presidente da República faria o mesmo extermínio, ao assinar o 3º Programa Nacional de Direirtos Humanos contendo a descriminalização do aborto



Em panfleto, CNBB chama Lula de

"novo Herodes" por plano de direitos humanos

A internet tornou-se o palco principal da controvérsia. Enquanto parte da igreja católica continua a contestar outros três pontos polêmicos do plano com uma série de artigos publicados online, usuários da ferramenta de microblog Twitter promovem um encontro em São Paulo para defender sua manutenção.
A onda de protestos por parte da igreja teve início com um panfleto revelado pela reportagem de UOL Notícias, em que o Regional Sul 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) classifica Lula como “novo Herodes”. Segundo os bispos, a exemplo do rei que ordenou a "matança dos inocentes" na Bíblia Sagrada, o presidente da República faria o mesmo extermínio, ao assinar o 3º PNDH contendo a descriminalização do aborto.
Os pontos contestados são, além da descriminalização do aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, direito de adoção por casais homoafetivos e a proibição da ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União. "Herodes mandou matar algumas dezenas de recém-nascidos (Mt 2,16). Com esse decreto, Lula permitirá o massacre de centenas de milhares ou até de milhões de crianças no seio da mãe!", incita o documento.



O que você achou do recuo sobre o aborto no plano?

Dê sua opinião

Agora, 67 bispos católicos, entre eles dom Eugênio Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, decidiram mover um abaixo-assinado contra o que chamam de “métodos autoritários” do governo. O documento afirma que o plano pretende fazer passar por direito universal a vontade da minoria.

Um dos trechos do abaixo-assinado remete a artigo em que o cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, primaz do Brasil, fala em “equívoco para o desenvolvimento”. “Fazer aprovar por decreto o que já foi rechaçado repetidas vezes por órgãos legítimos traz à tona métodos autoritários dos quais com muitos sacrifícios nos libertamos ao restabelecer a democracia no Brasil na década de 80”, afirma.



Bispo italiano é contra a comunhão de gays

Leia mais

Abaixo-assinado dos 67 bispos

Nota da ONG Católicas

Manifesto por "beijaço" em SP

A onda de artigos dos bispos católicos virou corrente na internet. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, afirma que “é inadmissível que a revisão do programa, agora feita às pressas pelo governo, tenha interesses eleitoreiros”. “Na verdade o que deve ser revista é a ética laicista e contrária a vida, ao matrimônio e à família, defendida neste programa. Não se pode em nome dos direitos humanos defender o direito de matar e de destruir o matrimônio e a família.”

Dom Aldo Di Cillo Pagotto, arcebispo da Paraíba, chama o plano de “pacote ideológico do governo” ao criticar outros pontos controversos, a tentativa de controle da imprensa e a não repreensão às invasões de terra. “Nossa esperança é que surjam reações ao decreto que o presidente assinou e não leu. Que fique de molho e não passe de carta de intenções”, afirma. “Em terceira versão requentada, carece de melhor parecer jurídico, em conformidade com a Constituição Federal”, completa.

Mas o conteúdo do programa também conta com apoiadores que organizam, para este domingo (7), um “beijaço” na capital paulista para pedir que o governo mantenha o texto original. O local já está marcado: esquina da avenida Paulista com a rua Augusta, às 17h. “Setores da sociedade brasileira que habitualmente escondem seu conservadorismo em uma retórica politicamente correta foram finalmente evidenciados por seu caráter retrógrado, antilibertário e preconceituoso”, diz o manifesto pró-plano.



Mais sobre o PNDH-3

Entidades criticam alteração dos itens sobre aborto no Programa Nacional de Direitos Humanos

Legalização do aborto será retirada de programa

Após reação da Igreja Católica, Lula recua sobre defesa do aborto

CNBB mantém críticas a plano de Lula

Planalto admite falha, mas poupa Dilma

Lula nega pressão de militares e diz que plano não derrubaria a República

Novo decreto exclui "repressão política", mas mantém polêmicas

A ONG Católicas pelo Direito de Decidir também apoia o PNDH-3, em especial a recomendação para que o aborto deixe de ser crime em qualquer hipótese no Brasil. “Católicas pelo Direito de Decidir que, como parte do povo de Deus, integra a Igreja e está em sintonia com a maioria das mulheres católicas brasileiras, não se identifica com as críticas da CNBB ao PNDH-3, além de considerar desrespeitosa e inadequada a identificação do Presidente da República à figura bíblica de um homicida (Herodes), defende.

O UOL Notícias entrou em contato com a Presidência da República. A assessoria de imprensa informou que o governo não se pronuncia sobre o assunto.



O polêmico plano

Aprovado em dezembro, o PNDH-3 traça recomendações ao Legislativo para a futura elaboração de leis orientadas a casos que envolvam os direitos humanos no país. Um dos pontos mais controversos prevê a criação de uma Comissão da Verdade, para investigar casos de violação de direitos humanos durante a ditadura militar.

A medida gerou desentendimentos entre militares e a pasta de direitos humanos, e culminou em uma alteração no plano, assinada por Lula no último dia 14, suprimindo a expressão "repressão política", para englobar qualquer conflito no período.

A mudança não encerrou a discussão, já que outras polêmicas foram mantidas, como a tentativa de controle da imprensa e a não repreensão às invasões de terra, alvos de críticas de entidades como a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Em nota, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que elaborou o programa, diz que ele incorpora propostas aprovadas em cerca de 50 conferências nacionais, realizadas desde 2003, e que sua versão preliminar esteve disponível durante 2009 para sugestões e críticas.



Postado por Roberto Romano às 04:06


Obs: Parece que o governo Lula cede apenas a pressão das instituições que podem lhe render algum prejuízo eleitoral, de popularidade ou que podem complicar a sua situação. Aos poucos, o que plano possuia de bom e inovador: fim da criminalização do aborto, fim da proibição de união de pessoas do mesmo sexo (o que é uma hipocrisia no Brasil, já que mesmo com isto homossexuais moram juntos e já ganham na justiça direito a pensão e benefícios se a união for comprovada) e preservação do Brasil como estado laico (o que é uma piada, já que a igreja católica possui uma força enorme no Brasil, vide a CNBB) está sendo retirado do plano por pressão ou por medo de prejuízo eletoral.
Mas os dois pontos preocupantes que estão no programa (e não deveriam estar) continuam: controle da imprensa e ameaça a propriedade privada. Afinal não há nenhuma entidade neste campo que amedronte o governo.

Um Réquiem para a TV Paga

Não pretendo escrever um manifesto, mas talvez um protesto, mas acho que nem isto, apenas um mero desabafo. Há anos a TV Paga se tornou um refúgio e uma das últimas fontes de entretenimento descompromissado, daqueles bem banais, que me restou. Desisti dos cinemas faz tempo, além da péssima qualidade dos filmes atuais, desde a década de 1990 (na minha cidade, Campinas) os cinemas ficaram restritos aos grandes shopping centers. O que sobrou foi se atirar no sofá depois de um dia de trabalho e desfrutar o que a programação paga poderia oferecer quando se procura o puro e simples entretenimento descompromissado.
Mas não há público mais maltratado do que assinante de TV paga no Brasil. O descaso começa pelas operadoras e termina com os canais. No Brasil há o mal do monopólio, já que a Globosat detém o controle das duas maiores operadoras do Brasil: a Net em TV a cabo e a Sky em transmissão por satélite. Até 2007 a Sky possuía uma concorrente no Brasil a: Directv, porém a mesma foi comprada pela Sky e o monopólio se fechou. O desrespeito começa pelos pacotes empurrados e pouco flexíveis para os assinantes, para ter determinado canal, muitas vezes paga-se uma dezena de canais inúteis no pacote. O serviço de atendimento é uma lastima, experimente reclamar que seu sinal caiu na tempestade e você ficou uma hora sem sinal e deseja saber se esta hora será descontada de sua fatura, o atendente quase rirá de sua cara no telefone.
A qualidade dos canais está péssima. A começar pelas reprises intermináveis e pela repetição das programações. O filme Van Helsing desde agosto de 2009 passa todos os dias em todos os canais. Também Homem Aranha I e II, X-Men I e II e legalmente loira, creio que são os filmes mais repetidos na TV paga brasileira. Basta um canal passar determinado filme, para todos os outros começarem a fazer o mesmo. Séries são piores a Fox passa Simpsons o tempo todo em sua programação noturna, mas o problema é que são sempre os mesmos 10 episódios de sempre. A série possui 21 temporadas, mas a Fox do Brasil (os responsáveis pela programação) passam os mesmos 10 episódios sempre.
É um problema do canal no Brasil, já que basta entrar na grade do canal nos Estados Unidos para se notar um universo de diferença. A mesma Fox é a responsável por dublar quase toda a programação do canal. Hoje quase a totalidade dos canais de TV paga está dublada. Quando procurei saber o motivo pasmem: telespectadores de 12 a 22 anos reclamam que não conseguem acompanhar as legendas da programação e quando fazem alegam que isto compromete o entendimento da trama.
A qualidade dos canais caiu em demasia: os canais como Discovery e The History Channel apostaram de vez em não passar mais documentários científicos. Quando não estão passando reality shows, apostam em programas de conteúdos científicos duvidosos: The History Channel deveria mudar o seu nome, pois o que menos passa no canal é História: são programas de ufologia barata como “Arquivos Extraterrestres”, “Caçadores de Ovnis”, “Monsterquest” e reality shows que nada tem com Historia como “Caminhoneiros do Gelo” e “Lenhadores”. Basta entrar na programação americana do canal para notar a diferença.
As propagandas estão insuportáveis, antigamente o tempo era mínimo, hoje um único intervalo na TV paga dura entre 5 a 7 minutos com as mesmas propagandas que repetem no mesmo intervalo. Desde anunciantes que mantém as mesmas propagandas veiculando há anos a propagandas do próprio canal que ficam no canal por meses para anunciar uma nova série ou temporada, até a estréia já se está com ódio do programa. Poucas me irritaram tanto quando a Fox iria estrear a odiosa série Glee, mesmo sem ver um capítulo da série citada, já não aguentava mais as chamadas irritantes do canal.
Há uma pergunta que me corrói: A baixa qualidade do entretenimento e da cultura atual contribui para esta qualidade miserável dos programas da TV paga ou baixa qualidade do telespectador que gera esta qualidade sofrível? Ou mesmo esta é uma relação simbiótica entre ambos? Apenas sei que a TV paga no Brasil esta cada vez mais insuportável e imbecilizante, mesmo que a qualidade do espectador caiu (ao ponto de ter imensas dificuldades em ler uma legenda) os canais e as operadoras subestimam em demasia o público que as sustenta.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Passou do ponto

Dizem que o Brasil é o país da piada pronta. Em alguns casos, isto é verdade o que deve tanto facilitar quanto dificultar a vida dos humoristas. A piada do momento é a participação de Dilma Rousseff no programa horroroso de Luciana Gimenez. Não assisto a este programa, na realidade não assisto a TV aberta. Se até mesmo a TV paga está intragável, o que dizer da TV aberta brasileira.
Tomei ciência disto pela revista Veja desta semana:

“A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula na sucessão presidencial, participou na semana passada do programa Superpop, da Rede TV!, apresentado pela magnética Luciana Gimenez. O ponto alto foi televisionado de uma cozinha improvisada nos bastidores, onde a ministra se propôs a fazer uma omelete. “Se não der certo, você ajeita”, disse a ministra. Não deu. Saiu um prato de ovos mexidos. Dilma colocou a culpa na panela. “Tem que ter Tefal”, disse ela, referindo-se ao revestimento antiaderente, marca registrada da empresa francesa SEB. A conversa continuou no palco, diante da audiência predominantemente feminina do programa. Daquele momento em diante, Dilma fez omeletes sem quebrar ovos, prato típico do político com cargo no Executivo e que não pode perder uma chance daquelas de fazer campanha fingindo não estar pedindo votos. Foi um show de culinária política. Jornalistas amestrados eram chamados no monitor com o objetivo de levantar a bola para a ministra cortar. Ela aproveitou todas as deixas. Saiu aplaudida e feliz de ter tido a oportunidade de se mostrar “gente como a gente”, nas próprias palavras dela.”

O primeiro ponto é: Participar do medonho programa de Luciana Gimenez não é uma vantagem para a eleição. Mesmo que se diga que a classe “X” a faixa etária “Y” e o público “Z” assistam tal programa, convenhamos é uma tremenda roubada, mesmo porque a audiência da Rede TV! é muito baixa. A direção da campanha de Dilma está metendo os pés pelas mãos, ou seja, é o PT voltando ao seu estado natural de “entendemos o povo melhor do que ninguém”.
O segundo ponto é: Dilma não cola, não é simpática e não será a “cachinhos dourados” que Lula, a equipe de marketing político e os coordenadores da campanha teimam em transformá-la. Veja a arrogância típica: ao errar o prato colocou a culpa na panela, se fosse mais maleável e graciosa acharia graça do erro e sairia com um: “meu forte nunca foi cozinhar!”, por exemplo.
O terceiro ponto é: Há uma articulação para que Dilma apareça em vários programas, no ano passado uma nota na Folha de S. Paulo falava sobre um jantar oferecido por Marta Suplicy para apresentar Dilma como candidata a presidência da República à “mulheres poderosas da mídia” e entre elas citava a presença de Luciana Gimenez.
Se isto não é campanha antecipada eu não sei o que é. Mas não espere nada do TSE, na realidade nunca espere nada da justiça brasileira neste momento ela está completamente aparelhada com apadrinhados políticos.
Se tivermos sorte, o futuro de Dilma será um programa de culinária na TV, nos moldes do Ratinho, ou seja, soltando seu destempero nas panelas e produção a cada prato que saia errado.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

We're going off the rails on a crazy train



Cada vez que leio notícias da campanha do PT, da candidata, Dilma Rousseff e de seu cabo eleitoral, Lula, “em ação”, não para de tocar mentalmente a música Crazy Train de Ozzy Osbourne. Dilma e seu partido se parecem com um trem desgovernado prontos para atropelar tudo o que se atrever a ficar em seu caminho. As posturas (ou a falta delas) da candidata evidenciam uma falta de controle ou no mínimo um desconforto de alguém que deve interpretar um papel que não lhe agrada (Dilminha, paz e amor. A mãe do PAC e futura candidata a mãe dos brasileiros).

A respeito da música ela possui um dado curioso: É a volta de Ozzy ao mundo da música, após ser demitido do Black Sabbath e se entupir de drogas (este foi um dos motivos da demissão) Ozzy se livrou das drogas por um curto período e lançou sua banda homônima com seu primeiro sucesso Crazy Train, que fala realmente de como ele se sentia quando estava drogado. Aliás, Ozzy Osbourne - hoje um senhor de 61 anos de idade – é prova viva contra o argumento falho de que as drogas não fazem mal. Especialmente os defensores da maconha alegam esta bobagem. Dentre as muitas peripécias do Sr. Osbourne quando estava drogado, a mais famosa é a decapitação de um morcego vivo com os dentes durante um show que lhe renderam vinte e sete vacinas anti-rábicas. Ozzy desde os quarenta anos se move com dificuldade, não tem memória, fala de maneira mole e incompreensível na maioria das vezes, gagueja muito (embora não seja gago) e age como se tivesse alguma doença metal, embora não tenha. Desde os 56 anos perdeu o controle de seu intestino e usa fraldas geriátricas. Tudo graças ao seu vício em drogas. Na realidade já é um milagre Ozzy chegar aos 61 anos de idade, já que sempre foi um sério candidato a morrer de overdose.

Desviei-me um pouco do que desejava com o texto. Nós já estamos em um trem desgovernado. Apesar de todos os dias o país da maravilhas seja despejado em nossas cabeças por meio da invasão de propagandas governamentais e de estatais e de dados que dizem que nunca estivemos tão bem, enquanto a verdade pulula tímida no meio disto: A maior crise industrial desde 1990, a maior taxa de impostos da história – do dia 1 de janeiro até o dia 26 de maio 2010 o brasileiro trabalhará só para pagar impostos – o maior spreading bancário do planeta e a tática do governo para fazer sua sucessora é aumentar o número de beneficiados com o bolsa família e pregar que a oposição acabará com o programa. Oras em um país onde todos estão bem, poucos utilizam um programa assistencial e emergencial como bolsa família, e mesmo os que se utilizam o fazem em uma situação transitória, afinal com uma nação nadando em abundâncias e em braçadas para se tornar potência mundial, não pode haver um número grande de brasileiros vivendo na absoluta miséria. Existem famílias que se beneficiam do programa desde o primeiro mandato (na realidade antes, desde os programas da era Fernando Henrique), ou seja, temos famílias que estão há uma década recebendo uma ajuda de custo para não morrerem de fome. Onde está o progresso?
Pelo programa bolivariano apresentado pelo PT para o governo de Dilma o trem continuará desgovernado.
Obs: Embora ache Ozzy deplorável em seu vício e patético em seu estado atual, foi um dos melhores vocalistas de Heavy Metal e um dos “pais fundadores” do gênero como membro do Black Sabbath.

Crazy Train


All aboard! Ha ha ha ha ha ha haaaa!


Crazy, but that's how it goes
Millions of people living as foes
Maybe it's not too late
To learn how to love
And forget how to hate


Mental wounds not healing
Life's a bitter shame
I'm going off the rails on a crazy train
I'm going off the rails on a crazy train

Let's Go!


I've listened to preachers
I've listened to fools
I've watched all the dropouts
Who make their own rules
One person conditioned to rule and control
The media sells it and you live the role
Mental wounds still screaming
Driving me insane

I'm going off the rails on a crazy train
I'm going off the rails on a crazy train
I know that things are going wrong for me
You gotta listen to my words

Yeah


Heirs of a cold war
That's what we've become
Inheriting troubles I'm mentally numb
Crazy, I just cannot bear
I'm living with something' that just isn't fair
Mental wounds not healing
Who and what's to blame
I'm going off the rails on a crazy train
I'm going off the rails on a crazy train

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

No Contra a Raison d'État

Correio Popular de Campinas

Mentiras iranianas e brasileiras


Roberto Romano

Nos processos de Moscou (1936), um dos eventos mais vergonhosos da história socialista, militantes fiéis foram acusados de tudo: aliança com os capitalistas, espionagem a serviço dos imperialismos, planos de assassinatos contra Stalin - o Guia Genial dos Povos, etc. Todo o procedimento “judicial” era mentiroso. As páginas do Pravda (A Verdade), jornal do regime, foram preenchidas com as confissões conseguidas por meio de tortura ou chantagem, ameaças várias e esperanças loucas de perdão. Enfim, num mundo em que o homem seria o capital mais precioso (título de uma brochura ridícula, atribuída a Stalin), ele foi leiloado na feira ideológica por preço vil, medido pelo deboche de uma Raison d´État farsesca.
Desde aquela época, “julgamentos” similares ocorreram no mundo. Assim sucedeu nos processos contra os dissidentes, na Europa sob o comando da URRS; em Cuba com o paredón; no Camboja. Todos aqueles teatros repetiram uma peça cujo título é “Caim”. E todos mimetizam as “seções especiais de justiça” da França, no desgraçado regime de Vichy. Quem ignora a História, pode pelo menos ver o amaríssimo filme de Costa-Gavras, Section Speciale (1975). Que nos Estados democráticos existissem truculentos, adeptos de métodos totalitários (o caso do senador McCarthy é notável pela baixeza), tal fato não desculpa os socialistas que defendiam a tortura, a calúnia de seus pares, a covardia como instrumento de poder.
O Brasil, dada a sua pequena importância internacional até data recente, pouco poderia fazer para minorar os procedimentos genocidas. Com manchas graves em seu histórico - a entrega de Olga Benário Prestes a Hitler e a discriminação racista contra judeus, além da tortura generalizada ao modo de Felinto Muller - nosso país poderia se escudar na pequenez geopolítica ou econômica. Durante a ditadura militar, ainda na Guerra Fria, éramos um peão menor no xadrez diplomático.
Tal não é mais a situação de hoje. Potência emergente, tanto pela economia quanto pela ordem científica e cultural (não por acaso a Unicamp foi indicada para integrar a escolha do Prêmio Nobel), o Brasil não tem o direito de se eximir quando se trata de matança praticada por Estados que mantêm comércio conosco.
Mohammad Reza Ali Zamani e Aresh Rahmanipour acabam de sofrer enforcamento no Irã. Processos contra a minoria Bahá-i estão em movimento, prometendo numerosas matanças. Começam, de fato, as piores represálias contra adversários do regime iraniano, administrado por um presidente que promete aniquilar Israel e profetiza abominável Holocausto nuclear (o que matou seis milhões de pessoas, segundo o mentiroso contumaz, “não existiu”), assim que os procedimentos técnicos sejam atingidos. Como antes da Segunda Guerra Mundial, as potências dominantes buscam seus próprios interesses, permitindo que uma ditadura siga seu rumo, matando os que, no seu povo, imaginam ter direito à liberdade. Depois, ela matará seus vizinhos, destruirá Israel, etc. Em Minha Luta também tudo foi informado. Depois...
Como na Moscou de 1936, as falas são estereotipadas: os enforcados seriam “inimigos do Islã”, “monarquistas”. A repressão toma conta da Pérsia que o Brasil apoia, com tibieza. Atenção cidadania: quem se cala diante de atrocidades cometidas contra cidadãos indefesos no Exterior, está apto a cometê-las aqui. Lutar pela democracia no Irã é garantir que os nossos governantes não assumam uma política ditatorial. Os governo brasileiro bajula notórios tiranos, como Chávez, mostra o que fará, caso não encontre sólidas barreiras contra sua ideologia, que também orienta os ditadores do Irã e da América do Sul. Qual ideologia? O realismo antes de tudo, a liberdade em último plano. Quando o sr. Celso Amorim diz que o Brasil dialoga com países que mantêm a pena de morte, ele cala o fato: no Irã, tal pena (já questionável em termos éticos em democracias) está sendo usada para manter um poder teológico-político, antissemita, intolerante. Diz Platão da verdade: se ela fosse visível, todos se apaixonariam por seu resplendor. Na falta do verdadeiro, a mentira se espraia pelas Chancelarias do mundo. Se a mentira diz o contrário da verdade, o silêncio brasileiro é repelente.

Postado por Roberto Romano às 23:15

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Estudante é obrigado a beber combustível durante trote em SP

Um estudante de veterinária de 18 anos foi obrigado a beber etanol, o álcool utilizado como combustível automotivo, na segunda-feira, durante um trote violento na Unicastelo, em Fernandópolis, a 533 km de São Paulo. Segundo o jovem, que não quis se identificar, as agressões começaram dentro da faculdade e seguiram por uma avenida movimentada da cidade. As informações são do Bom Dia SP.
Durante oito horas, o estudante sofreu agressões físicas e psicológicas. Avisada por uma amiga do jovem que viu as agressões, a família levou o estudante para o hospital, onde foi submetido a exames para verificar a quantidade de álcool ingerida. Um boletim de ocorrência foi registrado. Alunos do quinto ano de veterinária que teriam participado do trote deverão ser ouvidos nesta semana. Segundo a universidade, uma sindicância será aberta para apurar o caso.

Todo começo de ano letivo em universidades temos notícias como esta e a cada ano a selvageria e brutalidade nos abomináveis trotes aumentam. Não há (e nunca houve) qualquer inibição por parte das instituições e da justiça.
As universidades brasileiras estão sucateadas (a imensa maioria ao menos, pouquíssimas se salvam) e hoje dão a impressão que abrigam monstros. Os trotes mais violentos sempre ocorrem nas faculdades de medicina e veterinária. Basta lembrar que já se passaram onze anos desde que Edison Tsung Chi Hsueh morreu afogado em uma piscina da USP durante um trote em 1999. Ninguém foi punido e os trotes continuam no Brasil sem nenhuma intervenção das universidades ou mesmo da polícia. Cansei de ver policiais de braços cruzados assistindo, com ar de divertimento, trotes universitários (comuns no centro de Campinas por estudantes da PUC e outras faculdades que hoje existem na região central da cidade).
Vale o raciocínio: se jovens que cursam medicina (os cursos mais caros e concorridos) abusam desta selvageria em trotes e perdem facilmente o controle com bebidas e outras substâncias (lembrando que serão os futuros médicos) em tese deveriam possuir um grau de instrução e civilidade acima da média, o que esperar do resto da juventude brasileira?
Há algo de errado no Brasil. Eles se portam assim porque aprenderam desde pequenos que o crime compensa. A impunidade no Brasil é enorme. Que digam os assassinos de Edison Tsung Chi Hsueh, morto no campus numa das melhores faculdades do Brasil.

No Contra a Raison d'État






01/02/2010 - 16h43

Ex-aliados pedem renúncia do presidente Chávez em artigo

Um grupo de ex-aliados do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, integrado por antigos ministros, militares e congressistas, pediu sua renúncia hoje considerando que, depois de 11 anos no cargo, o político "não tem legitimidade nem capacidade de governar".
"Presidente Chávez, nós que fizemos da defesa da Constituição nossa luta [...] para evitar maiores males e desgraças ao país, como estão ocorrendo, exigimos formalmente a sua renúncia", pede o documento, assinado pelo grupo Polo Constitucional e publicado hoje na imprensa venezuelana.
Entre as assinaturas estão a do ex-ministro de Relações Exteriores Luis Alfonso Dávila, do ex-ministro de Defesa Raúl Isaías Baduel, de Herman Escarrá, um dos principais redatores da atual Constituição, e de dois ex-comandantes que acompanharam Chávez na tentativa de golpe de Estado em 1992, Yoel Acosta e Jesús Urdaneta, entre outros.
O texto afirma que Chávez deve deixar o poder por "seu projeto absolutista e totalitário", "pela falta de prestação de contas", "pela linguagem imprópria" empregada que "despe a alma intolerante, mesquinha, cheia de ódio e de ressentimento". Chávez "não tem autoridade moral e material para governar, pois não responde à satisfação das exigências do povo", continua.
O Polo Constitucional reivindica também o direito dos venezuelanos "à propriedade privada", à "educação plural" e ao "pluralismo político" e lamenta que o Exército e outras instituições estejam "distorcidas pela penetração de elementos estranhos", em uma clara alusão a Cuba. Além disso, considera que o atual Executivo peca por uma "centralização irresponsável que coloca seus caprichos na frente das necessidades do Estado".
Os responsáveis pela carta dizem que a Venezuela vive com falta de água, energia elétrica, sofre com altos índices de insegurança e com uma "escandalosa corrupção", que "agregam elementos para a desqualificação de Chávez como governante".
"Funcionários, familiares e personagens conhecidos como os 'boliburgueses' [burgueses bolivarianos] saquearam administrações, ministérios, Prefeituras, empresas do Estado", assegura o texto opositor.
Chávez disse neste domingo em seu programa dominical de rádio e televisão "Alô Presidente" e em seu artigo semanal "As linhas de Chávez" que observou nas manifestações contra ele nos últimos dias "o mesmo formato de violência" de abril de 2002, quando foi derrubado durante dois dias. "Há grupos que estão chamando os militares ativos, incitando-os. Recomendo que não o façam porque juro que minha resposta será forte", advertiu Chávez.



Com Efe e France Presse

Postado por Roberto Romano às 12:23